Desafiando potências asiáticas – especialmente a Coreia do Sul, nação na
qual foi criado o tae kwon do – e do próprio continente americano (como
Estados Unidos, México e República Dominicana), o Brasil viaja para a
Olimpíada de Londres com apenas dois atletas, mas ambos com chances
reais de aparecer no pódio da disputada modalidade.
Natália Falavigna, da categoria +67 kg, tem a única medalha
olímpica do País no esporte – ela conquistou o bronze em Pequim/2008.
Diogo Silva (-68 kg), que disputou os Jogos de Atenas, em 2004, está de
volta à competição, depois de não conseguir a classificação para a
Olimpíada disputada há quase quatro anos.
A confiança por bons resultados da enxuta equipe brasileira vem dos próprios atletas.
“Creio que este ciclo olímpico foi o melhor da minha carreira”,
diz Diogo, de 29 anos. “Além da experiência que eu ganhei nos últimos
quatro anos, subi o meu patamar de competição. Antes, meu nível era
continental. Agora, minhas conquistas estão em nível mundial.”
Foi no competitivo Pré-Olímpico Mundial, disputado no
Azerbaijão, em julho, que Diogo conquistou a classificação para Londres.
Daquele mês até outubro, figurou entre os três melhores atletas do
mundo em sua categoria. “Foi algo que nenhum brasileiro havia
alcançado”, destaca.
O lutador afirma que toda a sua preparação foi voltada para o
Pré-Olímpico Mundial, o que fez com que o Pan de Guadalajara ficasse em
segundo plano. “Em 2007, fiz o contrário. Priorizei o Pan do Rio, pelo
fato de o torneio ser em casa. Isso acabou me atrapalhando na hora de
buscar a vaga olímpica.”
Natália Falavigna também está acostumada a aparecer entre as
principais competidoras da modalidade. Antes do bronze em Pequim, ela já
havia batido na trave em sua estreia nos Jogos. Chegou a Atenas, há
quase oito anos, com um título mundial, mas acabou ficando com a 4.ª
posição.
A lutadora enfrentou um adversário complicado neste ciclo
olímpico: o próprio corpo. Aos 27 anos, Natália sofreu por quase dois
anos com problemas no joelho direito, que lhe tiraram de importantes
competições desde o ano passado.
Foram duas cirurgias para curar o rompimento do ligamento cruzado anterior – a primeira, em 2010; a outra, no início deste ano.
As intervenções fizeram com que Natália perdesse a seletiva
mundial, o Campeonato Mundial e também os Jogos Mundiais Militares,
todos realizados nesta temporada.
Na corrida contra o tempo, Natália voltou a treinar pouco antes
do Pan de Guadalajara, em outubro. No México, seu retorno às competições
não foi feliz: a brasileira perdeu logo em sua primeira luta. Mas, a
despeito das críticas, afirmou que seu objetivo maior não estava ali,
mas no Pré-Olímpico Continental, que também seria disputado no México,
dali a poucas semanas.
E foi na cidade de Querétaro que Natália deu a volta por cima,
garantindo sua terceira participação nos Jogos. “O meu retorno foi
ótimo, eu não poderia estar mais feliz. Esses desafios apareceram para
mostrar que eu tinha muita força.” Depois disso, ela ainda teve fôlego
para participar do evento-teste em Londres.
Enquanto Diogo aposta em uma preparação totalmente realizada no
País (ele treina em São Caetano do Sul, no ABC paulista,), Natália deve
passar boa parte de seus dias na pequena Sugar Land, cidade de 85 mil
habitantes próximas a Houston (EUA).
É lá que vive Jean Lopez, técnico da seleção principal dos EUA
que, agora, também é um dos treinadores de Natália – o americano, aliás,
está sendo cotado para assumir a equipe brasileira após Londres. “Para
mim, ele é um dos gênios do tae kwon do. Sempre foi meu sonho trabalhar
com ele.”
Fonte: Estadão de São Paulo

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